O que acontece quando você aprende a ocupar o seu espaço?
Descubra como ocupar o seu espaço sem culpa: o que trava esse movimento, por que você se diminui mesmo sendo competente e por onde começar
Por Gabi Squizato
Você já percebeu como algumas oportunidades despertam mais medo do que entusiasmo? Esse impulso de recuar tem tudo a ver com o quanto a gente aprendeu, ou não, a ocupar o nosso espaço.
Uma promoção, um novo projeto, um convite para falar em público ou até um elogio sincero podem provocar um impulso quase automático de recuar. Como se uma parte de nós desejasse crescer, enquanto outra fizesse de tudo para permanecer invisível.
Confesso que, neste texto, falo mais de um lugar de guia, porque esse nunca foi um problema para mim.
No mês passado, porém, tive uma chance inesperada de fazer um pitch sobre meu trabalho para uma plateia pequena e muito qualificada, e quase não fui. Usei a frase mágica que vou te ensinar aqui, e o pitch não só foi um sucesso, como me rendeu uma oportunidade de carreira incrível.
Essa é justamente uma das reflexões que o trânsito de Júpiter em Leão que estamos vivendo nos convida a fazer. Mais do que falar sobre expansão, esse movimento astrológico pergunta: o que impede você de ocupar o espaço que já é seu?
Neste artigo, você vai entender:
- O que significa ocupar o seu espaço de forma saudável;
- Por que tantas pessoas têm medo de se destacar;
- Por que nos diminuímos mesmo quando somos competentes;
- O que Júpiter em Leão simboliza nesse processo;
- Como começar a ocupar o seu espaço com mais autenticidade.
O que significa ocupar o seu espaço?
Quando ouvimos a expressão “ocupar o seu espaço”, é comum imaginarmos alguém que fala alto, sobe no palco, lidera equipes ou chama atenção por onde passa.
Mas ocupar o seu espaço não tem relação com tamanho ou protagonismo constante. Tem relação com presença e direito, porque existe um espaço neste mundo que é só seu.
Quando digo que existe um espaço que é só seu, não falo de um pedestal. Falo do espaço que só pode ser ocupado pela forma única como você pensa, cria, trabalha, ama e contribui.
Ninguém ocupa esse lugar exatamente da mesma maneira. Quando você se encolhe, esse espaço não é preenchido por outra pessoa, ele simplesmente fica vazio.
Ocupar espaço é deixar de esconder ideias para evitar críticas, parar de pedir desculpas antes de expressar uma opinião, cobrar um valor justo pelo seu trabalho sem culpa e reconhecer suas conquistas sem precisar diminuí-las para parecer humilde.
Ocupar espaço tem menos a ver com querer ser maior que os outros e mais com parar de agir como se você fosse menor. E olhe que interessante: ao fazer isso, você inspira outras pessoas a ocuparem também os espaços delas.
Por que tantas pessoas se diminuem?
Poucas pessoas aprendem, desde cedo, que é seguro ser quem elas são. Muitas crescem ouvindo, direta ou indiretamente, que precisam ser mais discretas, agradáveis e não chamar atenção demais.
Muitos pais criam seus filhos para não incomodar os outros, e uma forma de não correr o risco de incomodar é se escondendo. Crescemos recebendo mensagens como “não incomode”, “não responda”, “não seja exibida”, “não faça bagunça”.
Aos poucos, aprendemos que ocupar pouco espaço é uma forma de sermos aceitas e bem-vindas.
Algumas pessoas foram criticadas quando demonstraram confiança. Outras perceberam que eram mais aceitas quando ocupavam pouco espaço emocional, profissional ou físico. Muitas ouviram frases como “baixe sua bola”, “você é espalhafatosa demais”, “fale um pouco menos”.
Sem perceber, aprendemos que ser vistos pode ser perigoso, e essa aprendizagem quase nunca desaparece sozinha quando nos tornamos adultos.
Em vez de deixar de responder na sala de aula, deixamos de apresentar uma ideia na reunião. Em vez de esconder um desenho, escondemos um projeto.
Naquele dia que comentei no início, enquanto eu inventava desculpas para não ir, uma pergunta apareceu quase como um sussurro: “Ué, por que não?”
Foi simples, mas desmontou todos os argumentos que eu usava para permanecer quietinha. Percebi que não havia nenhum motivo real para recusar aquela oportunidade. Havia apenas o velho impulso humano de recuar diante do desconhecido.
Aprenda a dizer “Ué, por que não?” para os seus pensamentos limitantes e veja o movimento acontecer com muito mais facilidade.
O medo de se destacar nem sempre é medo do sucesso
Existe uma crença popular de que as pessoas têm medo do sucesso. Eu, particularmente, acredito que a maioria não teme o sucesso em si, e sim as consequências emocionais dele.
Ser mais visto, receber críticas, assumir novas responsabilidades, descobrir que algumas relações podem mudar, perceber que já não cabe em determinados lugares.
Crescer muda nossa identidade antes mesmo de mudar nossa realidade, e toda transformação de identidade desperta algum grau de insegurança.
Talvez seja por isso que tantas pessoas sabotem justamente as oportunidades que mais desejavam. O motivo raramente é falta de vontade. Elas ainda não se reconhecem vivendo aquela realidade e todo o pacote que vem junto com ela.
O que Júpiter em Leão nos ensina sobre ocupar espaço?
Na Astrologia, Júpiter representa expansão, crescimento, confiança e novos horizontes. Leão fala sobre expressão, criatividade, autenticidade e a coragem de mostrar quem somos.
Quando Júpiter transita por Leão, somos convidados a ampliar justamente essas qualidades.
Existe um detalhe importante: a expansão proposta por Júpiter amplia aquilo que já está presente, em vez de criar algo do nada.
Se existe criatividade, ela cresce. Se existe autenticidade, ela ganha força. E, se existe medo de aparecer, esse medo também pode ficar mais evidente.
Por isso, esse trânsito costuma revelar um paradoxo interessante: quanto maior a oportunidade de ocupar espaço, maior pode ser a vontade de se esconder. Vale ficar atenta para não permitir que essa fuga atrase a realização que você merece.
O que muda quando você aprende a ocupar o seu espaço?
Apesar de os resultados serem sentidos na carreira, nos relacionamentos e até nas redes sociais, esse movimento não começa por aí. Ele acontece dentro de você.
Você começa a perceber que não precisa pedir licença para existir, que pode reconhecer suas competências sem arrogância, que receber reconhecimento é gostoso, que estabelecer limites não faz de você uma pessoa egoísta e que sua voz não precisa ser perfeita para merecer ser ouvida.
Curiosamente, quando isso acontece, as mudanças externas costumam aparecer como consequência. As pessoas passam a perceber sua presença, as oportunidades aumentam e as decisões se tornam mais claras.
Quando você finalmente ocupa o seu espaço, o que é seu te encontra com mais facilidade.
Como começar a ocupar o seu espaço?
Esse processo começa com uma decisão, e dela nascem pequenos movimentos. Observe, por exemplo:
- Você costuma minimizar seus resultados quando alguém elogia seu trabalho?
- Evita compartilhar ideias por medo de parecer inadequada?
- Espera sentir confiança total antes de agir?
- Sente culpa quando recebe reconhecimento?
- Costuma acreditar que outras pessoas são naturalmente mais preparadas do que você?
Responder honestamente pode revelar onde você ainda está se diminuindo. Ocupar espaço não elimina completamente o medo, mas facilita o seu movimento.
Decida hoje que existe um lugar ao Sol para você, que é só seu e esteve reservado esse tempo todo te esperando. Há um sinal simples do corpo para reconhecer se você está no seu lugar: fora dele, sentimos contração e retração; dentro dele, sentimos expansão.
Crescer talvez não seja se tornar outra pessoa
Existe uma ideia muito difundida de que crescimento exige uma transformação radical, como se fosse necessário construir uma nova versão de si mesma para viver uma vida maior. Mas talvez seja o contrário.
Talvez crescer seja o processo de retirar as camadas de medo, culpa, comparação e necessidade de aprovação que foram se acumulando ao longo dos anos. No fundo, ocupar o seu espaço é permitir que a pessoa que você sempre foi possa existir sem pedir desculpas por isso.
Isso não quer dizer que você e os outros não vão te perceber diferente, porque com certeza vão. São as camadas liberadas que finalmente dão acesso a quem você é de verdade.
Talvez seja esse o convite mais bonito de Júpiter em Leão: deixar de viver menor do que você nasceu para ser e acessar a sua verdadeira essência.
Especialista em inteligência emocional aplicada a negócios, comunicadora e pós-graduada em Psicanálise e em Psicologia Transpessoal. Consultora de negócios para prestadores de serviços, criou a técnica da Liberação Emocional, que lhe permite enxergar a alma humana por trás do negócio e unir o emocional ao estratégico. Já formou mais de 4 mil alunos em diversos países. No Personare, é professora do curso Transição Profissional Turbinada.
Saiba mais sobre mim- Contato: gabi@gabisquizato.com
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