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Por que você conquista tudo, mas não consegue aproveitar o que conquistou?

Entenda a síndrome do próximo objetivo e aprenda a receber e desfrutar o que você já construiu

Atualizado em

Você conseguiu. Aquele emprego, a empresa, o aumento de faturamento, a casa, o diploma, a viagem, o relacionamento. Chegou a um lugar que, anos atrás, parecia distante. E esperava sentir uma explosão de felicidade, mas não sentiu. A dificuldade de aproveitar conquistas é mais comum do que parece.

Talvez você tenha sentido alívio, ou orgulho por alguns minutos. Mas logo a sua cabeça já estava em outra coisa: “tá, e agora? Qual é o próximo?”.

Se você já viveu isso, talvez exista uma pergunta mais importante do que “por que eu não consigo comemorar?”. Será que você aprendeu a conquistar, mas nunca aprendeu a receber?

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Você chegou, mas por que já está correndo de novo?

Existe uma mulher que talvez você conheça muito bem. Ela estabelece uma meta e corre atrás. É do tipo que faz acontecer: supera os obstáculos, conquista, respira e imediatamente cria outra meta. Aliás, dobra a meta.

Mais dinheiro, mais clientes, mais reconhecimento, mais um curso, mais um projeto, mais um cargo, talvez mais uma viagem. Sempre mais alguma coisa que, quando acontecer, finalmente vai permitir que ela relaxe. Só que, spoiler, esse “finalmente” nunca chega.

Porque, quando uma conquista acontece, ela rapidamente deixa de ser conquista e vira ponto de partida para a próxima cobrança. É a síndrome do próximo objetivo: você passa tanto tempo olhando para o que ainda falta que quase não consegue olhar para o que já existe.

E talvez seja por isso que algumas pessoas estejam vivendo exatamente a vida que um dia desejaram, mas, como não percebem, acabam não conseguindo desfrutá-la.

Quando conquistar vira uma forma de fugir de si mesma

Nem toda ambição é um problema. Querer crescer, prosperar e construir uma vida melhor pode ser maravilhoso, aquele impulso de vida. O problema é quando isso se torna uma estratégia de fuga.

A pergunta que importa é: o que está por trás da sua necessidade de conquistar? Às vezes, a busca incessante por resultados esconde uma tentativa de provar alguma coisa. “Agora vão reconhecer meu valor.” “Agora vou mostrar que sou capaz.” “Agora eu finalmente vou me sentir suficiente.”

E, quando a próxima conquista chega, ela não entrega aquilo que você esperava. Porque nenhuma realização externa consegue preencher, sozinha, uma sensação interna de insuficiência.

Essa relação entre autoestima e desempenho é o que sustenta a necessidade de provar valor, que transforma a carreira em uma prova permanente.

Você conquista para se sentir suficiente. Mas, como ainda não se sente suficiente, precisa conquistar de novo, e de novo. E assim nasce um ciclo exaustivo: conquista, alívio, cobrança, nova meta, conquista, próximo objetivo.

Você aprendeu a lutar, mas talvez não a receber

Existe outra camada nessa história que acho ainda mais interessante: a dificuldade de receber.

Tem gente que sabe trabalhar muito, mas não sabe descansar. Sabe ajudar todo mundo, mas não sabe pedir ajuda. Sabe se doar, mas fica desconfortável quando alguém oferece algo.

É a pessoa que recebe um elogio e responde “imagina, nem foi tudo isso”. Que recebe uma oportunidade e pensa “será que eu mereço?”. Que conquista algo importante e logo diminui: “foi sorte”. Isso também é dificuldade de receber.

Essa dificuldade de confiar nos outros e de soltar o controle costuma andar junto com a hiperresponsabilidade, o padrão de quem sente que precisa dar conta de tudo sozinha.

E enquanto você acredita que precisa estar constantemente produzindo para merecer coisas boas, até aquilo que já conquistou parece provisório, como se a vida pudesse retirar tudo a qualquer momento.

Aí você não relaxa, não desfruta, não expira tranquila. Continua trabalhando para garantir algo que já é seu.

E se você estiver confundindo descanso com acomodação?

Essa é uma armadilha muito comum. Você pensa “se eu parar, vou perder o ritmo”, “se eu comemorar demais, vou ficar acomodada”, “se eu descansar agora, outra pessoa passa na minha frente”, “ainda não fiz o suficiente para merecer comemorar”.

Mas existe uma diferença enorme entre acomodação e satisfação. A acomodação diz “não preciso mais crescer”. A satisfação diz “eu reconheço o quanto já cresci”.

Você pode querer mais e, ao mesmo tempo, amar o que já tem. Pode ter novas metas sem transformar sua vida atual em uma sala de espera. Pode desejar expansão sem tratar o presente como insuficiente.

Como aprender a aproveitar o que você conquistou?

Reconhecer a própria trajetória é uma habilidade, e como toda habilidade, pode ser treinada. Experimente estas práticas.

1. Faça o inventário das conquistas invisíveis

Pegue papel e caneta e escreva: “hoje eu vivo coisas que a minha versão de alguns anos atrás desejava”.

Depois, complete sem pressa. Pode ser uma casa, uma profissão, uma relação, uma liberdade, uma habilidade, uma conta paga, uma amizade ou uma mudança interna.

Não procure apenas grandes acontecimentos. Às vezes, a conquista é poder dizer “não”. Às vezes, é dormir em paz. Às vezes, é não aceitar mais aquilo que você aceitava antes.

Esse tipo de registro escrito é uma prática de autoconhecimento poderosa, e você pode aprofundá-la com a escrita terapêutica.

2. Pratique o “tempo de desfrute”

Escolha uma conquista sua e permita-se desfrutá-la deliberadamente. Apenas esteja ali, presente e consciente.

Coma aquela comida que você gosta, use aquilo que comprou, entre na casa que conquistou e observe cada detalhe com carinho, faça a viagem sem economizar sorrisos, vista a roupa, receba o elogio de braços abertos e agradeça muito.

Permita que o seu corpo experimente a sensação: “isso é meu, eu posso estar aqui”.

3. Troque “o que falta?” por “o que já chegou?”

Toda vez que a sua mente procurar automaticamente o próximo problema, faça uma pausa e pergunte: “o que já chegou até mim que eu ainda não parei para reconhecer?”. Essa pergunta muda o foco da falta para a presença.

E presença é uma habilidade que se treina: quanto mais você pratica, mais fácil fica perceber que a vida não começa depois da próxima conquista. Ela já está aqui.

Celebrar não é parar, é integrar

Existe algo muito poderoso em reconhecer o próprio caminho. Quando você olha para trás e percebe tudo o que atravessou, aprendeu e construiu, deixa de enxergar a sua vida apenas como uma lista de tarefas pendentes.

Você começa a perceber a própria história, e isso muda até a sua relação com a próxima meta. Porque você não corre mais para provar que é capaz: você segue em frente porque já sabe que é. Essa diferença parece pequena, mas emocionalmente é enorme.

Talvez você não precise de mais para ser feliz. Talvez precise receber, de braços abertos, o que já tem. Guarde esta frase: você não precisa esperar a próxima conquista para ter permissão de ser feliz.

A vida que você está vivendo hoje talvez tenha sido o sonho de uma versão anterior sua. Então pare um pouquinho, olhe ao redor, reconheça, agradeça e desfrute. Não porque você chegou ao fim, mas porque chegou até aqui. E daqui você pode continuar crescendo.

Só não precisa continuar correndo, se não quiser.

Gabi Squizato

Gabi Squizato

Especialista em inteligência emocional aplicada a negócios, comunicadora e pós-graduada em Psicanálise e em Psicologia Transpessoal. Consultora de negócios para prestadores de serviços, criou a técnica da Liberação Emocional, que lhe permite enxergar a alma humana por trás do negócio e unir o emocional ao estratégico. Já formou mais de 4 mil alunos em diversos países. No Personare, é professora do curso Transição Profissional Turbinada.

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