Especial 2º semestre

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Porque os seus rituais de prosperidade não dão certo

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Rituais de prosperidade costumam despertar uma expectativa bem específica: acender uma vela, repetir uma intenção e esperar que o dinheiro apareça. Quando nada muda, vem a frustração e a dúvida sobre o que deu errado.

A questão talvez esteja menos na técnica e mais naquilo que um ritual realmente reorganiza por dentro. Antes de qualquer prática, vale observar uma dificuldade silenciosa que aparece muito nesse processo: a de receber o que já está disponível.

A pergunta que abre esse caminho é simples e incômoda: por que algumas pessoas têm tanta dificuldade em receber?

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O que a maioria espera de rituais de prosperidade?

Quando alguém fala em prosperidade, quase sempre pensamos em dinheiro. A associação é automática: prosperar significa ganhar mais, conquistar estabilidade financeira, crescer profissionalmente. Muita gente busca rituais justamente para acelerar esse resultado.

Mas, para mim, a prosperidade não é ter dinheiro, mas sim recursos, caminhos que te aproximem do seu propósito. Isso sim é ser uma pessoa verdadeiramente próspera.

Existe uma história iorubá que fala sobre o odu (caminho) da prosperidade:

Obará e seus irmãos estavam buscando formas de serem mais prósperos conjuntamente. Obará, então, pergunta a Esù:

“Esù, o que eu e meus irmãos precisamos fazer para prosperar?”

Esù, então, dá à Obará e aos irmãos, 16 abóboras. Os irmãos de Obarà caçoam dele, dizendo: “você pediu a Esù prosperidade e ele te deu legumes?”.

Obará, triste, volta para casa com suas abóboras e pede à esposa que as cozinhe. Ao cozinhá-las, a esposa descobre que dentro de cada abóbora havia uma quantidade enorme de ouro. Obará e a família, então, se tornam ricos.

A lição:

Muitas vezes, pedimos à espiritualidade dinheiro ou recursos financeiros, mas, quando a oportunidade passa por nós, achamos que são só “abóboras”. O ouro está em explorar esses recursos.

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O merecimento também pode ser aprendido

Há 6 anos trabalho como cartomante e meu público é composto majoritariamente por mulheres. Percebo que, socialmente, nós, mulheres, temos dificuldades em receber.

Em Comunhão: a busca das mulheres pelo amor, bell hooks estrutura um pensamento que me ajudou a entender os motivos pelos quais as mulheres têm dificuldades em receber:

As mulheres são socializadas para cuidar das necessidades dos outros antes das próprias. Aprendem que seu valor está na capacidade de servir, agradar e nutrir. Como consequência, muitas experimentam culpa quando priorizam seus próprios desejos, prazer ou realização.

Nesse sentido, o merecimento precisa ser aprendido.

Quantas vezes, na minha mesa de jogo, me deparei com mulheres que pediam para serem prósperas, mas, quando a prosperidade chegava, elas questionavam se eram dignas ou não dela?

O merecimento pode ser menos meritocrático do que parece: se me dou muito, sou digna de receber de maneira equivalente. Faz sentido, não faz?

Para que os rituais de prosperidade realmente servem?

Muita gente imagina que um ritual serve para convencer o universo a entregar alguma coisa. E mais pessoas ainda buscam rituais para se tornarem mais prósperas.

Essa nunca foi a forma como compreendi a espiritualidade.

Nas tradições ancestrais, os rituais organizam o tempo, marcam passagens, encerram ciclos e inauguram outros. Eles ajudam o corpo a compreender aquilo que a mente ainda está processando.

A Antropologia já mostrou isso inúmeras vezes. Desde os estudos de Arnold van Gennep sobre ritos de passagem até Victor Turner, sabemos que os rituais têm uma função social e simbólica: eles transformam estados de existência.

É por isso que um ritual de prosperidade, para mim, nunca foi sobre “atrair dinheiro”. Ele é uma oportunidade de reorganizar internamente a nossa relação com o merecimento.

De perguntar: o que em mim ainda acredita que precisa pedir desculpas por prosperar?

Prosperar talvez seja, antes de tudo, ocupar espaço

E ocupar espaço na nossa própria vida, nos apropriando dos nossos talentos e capacidades e utilizando-os para alcançar nossos objetivos primeiro.

Como nos protocolos de segurança em aviões, primeiro você coloca a máscara em si, depois no outro.

Primeiro buscamos nosso alinhamento com o propósito, depois repartimos com nossas comunidades. O contrário nos atropela e cria ciclos de dependência difíceis de serem rompidos.

Ocupar espaço também envolve um autorreconhecimento: saber do nosso próprio tamanho e potencial.

A autoestima e a prosperidade caminham juntas, porque é preciso se reconhecer do tamanho que se quer chegar.

Convite

Tenho um convite para vocês.

No próximo dia 21/07, vou conduzir um ritual de prosperidade e abertura de caminhos. Caso você sinta que está na hora de fazer parte, só me chamar aqui.

Pronta para prosperar?

Amanda Guimarães

Amanda Guimarães

Comunicadora, internacionalista e cartomante, mentora e facilitadora de Tarô Avançado.Traduz o simbólico em decisões práticas para a vida. É host do podcast Entre Tapas & Cartas.

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